CATAÇÃO DE IMAGEM 

MEMÓRIAS DE UMA DIÁSPORA NEGRA

A necessidade de registrarmos nossas memórias, nossos afetos e nossa ancestralidade é cada vez mais latente. Em um mundo movido pela rapidez e pelo esquecimento, que mantém o racismo e o seximo como formas nítidas de poder e apagamento, é urgente o uso da palavra e da imagem como  ferramentas de luta e resistência.

Temos pressa em manter as pessoas pretas vivas. E não apenas vivas, mas conscientes de suas histórias.

Por entender que o racismo no Brasil _ e em demais países que sofreram com a escravidão _ é estruturante e precisa ser combatido de diferentes formas, o Frontfiles, organização independente de fotojornalismo, a Flup - Festa Literária das Periferias e o Afrotometria, coletivo negro de fotografia e colagem, estão organizando três ações que procuram cultivar a memória de mulheres negras brasileiras, africanas e portuguesas, ilustrando os diferentes contrastes da diáspora.

Se as mulheres negras estão na base da pirâmide social, sofrem todos os dias com as tecnologias opressoras da sociedade e têm suas vozes sempre silenciadas, aqui as três organizações buscam principalmente: contar histórias em primeira pessoa.

A negação do registro da memória da população negra sempre foi uma estratégia de opressão por parte da elite. Trata-se de uma forma perversa de ocultar existências, inviabilizar humanidades. A maioria das famílias negras brasileiras não consegue compor sua árvore genealógica, nomear sua ascendência. 

Carolina Maria de Jesus fez uso da palavra para retratar a favela em que vivia, o Canindé. A escritora possibilitou que a favela assumisse a narrativa de si, fizesse a sua “self” sem imagens. A parceria entre o Frontfiles e a Flup promoverá o lançamento da obra inaugural de Carolina em terras lusitanas.

Quarto de Despejo, obra que completa 60 anos de publicação, narra o cotidiano de uma mãe na favela. A fim de homenagear sua importante autora, juntamente com o Afrotometria iremos motivar a reconstrução da memória de 60 famílias de mulheres negras de Portugal, Brasil e África lusófona através de fotografias e narrativas.

Desejamos que as “carolinas” do presente catem imagens que componham a narrativa de suas famílias.

 

AS IMAGENS

O objetivo é recolher fotografias de família negras, vividas e enviadas por mulheres negras em diáspora. Serão selecionadas 60 imagens para exibição nos painéis sobre antirracismo, promovidos pela FLUP e o Frontfiles em Lisboa, que ocorrerá em outubro. Dessas 60 imagens, 19 serão expostas no metrô de São Paulo, na linha 4 amarela.

 

PARA O ENVIO DAS IMAGENS

→ As imagens devem ser enviadas pela seguinte forma:

1 - Acesse o formulário https://bit.ly/3hXtPhl

2 - Responda as perguntas

3 - Envie as imagens

      

4 - E por ultimo,conte quem esta na foto, por que ela é importante, qual a história da foto, em que ocasião ela foi tirada, conta historia de sua foto.

→ Alertamos a extrema importância da “ Descrição” da imagem, uma vez que é através dela que iremos escolher a foto.

→ Ao enviar a imagem, você está de acordo com possíveis modificações de cor, formato, contexto da foto, em prol de uma melhor visualização ou apenas fins estéticos. Além disso, você está também de acordo com a utilização dela para divulgação e reprodução, além de exposições físicas e virtuais, permanecimento indeterminado nos sites das organizações envolvidas, que se comprometem em manter os devidos créditos.

 

CRONOGRAMA

Recolhimento de imagem:

03/09 - 15/09

Curadoria:

16/09 - 18/09

Divulgação das selecionadas para cada projeto:

20/09

Exposição em Lisboa:

07/10 ou 12/10

Exposição no metrô de São Paulo:

Janeiro de 2021 (data indeterminada)

 

Caso você tenha alguma dúvida no processo de inscrição, por favor escreva para: afrotometria@gmail.com